quinta-feira, 23 de agosto de 2012







AGITAÇÃO 2



    Poderíamos definir agitação como sendo desassossego da alma. Deus nos criou para podermos usufruir de paz interior, a paz que excede todo o entendimento não importando a circunstância em que estejamos vivendo.
     Agitação e ansiedade produzem canseira, barulho.

    Barulho é sinal de imaturidade emocional porque traz poucos resultados concretos para a nossa vida. Saul fez muito barulho e poucas realizações, sua agitação e desassossego o levaram a atitudes desastrosas na maior parte do seu reinado.
     Paulo definiu esta agitação como:

    “Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro, e levados ao redor (sem meta, sem rumo, sem resultados) por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”. (Ef. 4:14)

     A agitação e o desconforto entraram no Éden depois do pecado. Adão andava tranqüilo, mas depois se agitou para se esconder procurar desculpas, fazer uma roupa com folhas de figueira, eles fizeram tudo menos o que realmente deveria ter sido feito: se aquietarem, se arrependerem e pedirem perdão ao Senhor e restauração.
    Antes do pecado o homem e a mulher estavam nus e ficavam tranquilos porque não conheciam a mentira, a culpa, medos, sentimento de inferioridade.
    A energia psíquica não era desgastada neste desequilíbrio, eles não precisavam lutar para serem felizes.
    O porquê da agitação interior? Porque não é natural para nós, a violência, o desamor. Para a ovelha não é natural à presença do lobo ou a privação de água, comida ou ausência do pastor. Diante de qualquer uma destas ameaças as ovelhas se tornam agitadas, o mesmo ocorre com o homem, esta é a razão pela qual somos comparados a ovelhas.

    Jesus veio ao mundo para nos trazer paz interior e para forjar em nós a mesma estrutura e força que Ele teve para enfrentar e prevalecer sobre as adversidades.
    “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em Mim. No mundo passais por aflições, mas tendo bom ânimo, Eu venci o mundo”. (Jo 16:33)

    Agitação é sinônimo de falta de domínio próprio, quando deixamos nossas emoções nos controlarem perdemos as guerras que se levantam contra nós por desgaste antecipado.
    Os soldados de Saul perderam a batalha antes de enfrentar Golias, porque a sua agitação interna os esgotou física e emocionalmente, a agitação causada pelo medo e pela insegurança os venceu.
    O discurso de Golias em (1 Sm 17:9), mostra que Golias já sabia que havia ferido todo aquele exército antes mesmo da batalha, agora faria o mesmo com aquele que ousasse confronta-lo.
    Qual foi a diferença entre Davi e todos os outros? O segredo de Davi residia na sua calma e no domínio da situação, na maturidade para enxergar as coisas segundo o seu verdadeiro prisma.
    Enquanto estivermos agitados, só a voz do inimigo prevalece com suas ameaças e intimidações. No momento em que Davi entrou com sua alma equilibrada, com pensamentos bons puros e agradáveis, Golias se calou e a voz ungida e segura de Davi se fez ouvir.
    Nossos conflitos interiores trazem um nível de agitação que nos derrota. Se nos dominarmos não nos desgastaremos em vão.

    “Melhor é o longânimo do que o herói de guerra, e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade”. (Pv 16: 32)

    Agitação fala de um descontrole emocional que nos leva a uma ineficácia espiritual.

    O Senhor disse: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus, me deixe ser Deus e pare com tanta ansiedade”.

    (Êx 14:13), nos deparamos com uma situação era caótica, o povo estava cercado por inimigos e impedimentos diante deles o mar e por trás os egípcios prontos para os levarem de volta ao cativeiro, foi necessário aquietar a alma para que Deus pudesse agir.
    “... Não temais, aquietai-vos e vede o livramento do Senhor, que o Senhor hoje vos fará”.

    Ovelhas agitadas são ovelhas mortas, presa fácil para satanás porque ao sentirem a presença do lobo correm sem rumo dando cabeçada umas contra as outras, e desta forma o lobo tem pouco trabalho para abocanhá-las.
A agitação nos leva a tomar decisões erradas. Na agitação de Ló, ele fez a escolha errada, na agitação da sua cobiça fez a escolha errada sem consultar a Deus.
    (Lc 10:38) Certa ocasião Jesus foi se hospedar na casa de duas mulheres com temperamentos diferentes, mas muito amadas pelo Senhor.
    Marta colérica, mulher decidida precisava do toque de Jesus em sua alma para se tornar a Marta, que abrigaria em seu coração o milagre da ressurreição de seu irmão. Quem teve a iniciativa de hospedar Jesus foi Marta, mas ela ainda o amava e o servia de forma infantil queria ser amada por aquilo que fazia, queria receber o elogio de Jesus pela comida, pela arrumação da casa. Sem os pais Marta tomou a responsabilidade de ser a mãe da família, síndrome de heroína e salvadora, mas ela precisaria aquietar-se para receber o salvador da sua alma em sua vida.
    O texto fala que Marta: agitava-se de um lado para o outro, ocupada em muitos serviços e quando se aproximou de Jesus foi só para reclamar, em meio à agitação acalentou no peito o ressentimento pela irmã calma.
     Jesus disse Marta, Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas cousas... Pouco é necessário para o sossego e para a solução, ou uma só cousa... Maria escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada.
    A agitação de Marta não a deixou entender o que era essencial e o que era circunstancial. Marta tinha facilidade em ficar no passado (ressentimento contra a irmã contemplativa) e no futuro (ansiedade para que tudo ficasse pronto), mas sem se deter no presente essencial que era usufruir da presença de Jesus. A ansiedade nos faz perder a capacidade de sentar, refletir e colocar Jesus no centro da nossa vida.
A FORÇA DO PERDÃO




    Dois elementos necessários para a restauração: coragem e quebrantamento.
    Para acabar com a nossa proteção, assim como os romanos, satanás mira suas catapultas em nossa direção atirando pedras abalando a nossa estrutura levando os muros a ruínas.
    São 3 as pedras, elas são chamadas de: matança, roubo e destruição.
    Mata a esperança, rouba as oportunidades e destrói a autoconfiança.
    No decorrer da vida bate um cansaço, envelhecemos por dentro, já não temos a mesma disposição, a mesma força para sonhar e realizar e recomeçar, esta é a síndrome da águia ferida, envelhecida, agredida, ainda voa, mas já são vôos mais rasantes e já está com a vida dando um fim.

    Neste momento a águia precisa ouvir a voz do seu Criador chamando-a para uma metamorfose, Ele a chama para remontar as alturas e fazer um ninho para a sua cura e restauração (Jó 30:27 Is 40:28-31).

    “... a tua mocidade se renova como a da águia” (Sl 103:5)

    É preciso coragem para mudar, mas se assim o fizermos prolongaremos a nossa vida.
    A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isto acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.
    Nessa idade, as unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico alongado pontiagudo curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil!!!
    Neste momento crucial da sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar o dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias. (5 meses)

    Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão onde não precisará voar (neste tempo de vulnerabilidade, ela estará totalmente protegida por Deus). Ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arranca-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após 5 meses ela pode levantar o vôo de renovação e viver mais trinta anos”
    “Comereis o velho da colheita anterior, e, para dar lugar ao novo, tirareis fora o velho” (Lv. 26:10)

    Pedro caminhou com Jesus por 3 anos, ele tinha fé, amor, comunhão, mas faltava a restauração da alma.
Jesus tentou por várias vezes avisar, mas ele se achava pronto e capacitado. Satanás estava vendo os buracos no muro de Pedro, ele estava vendo as penas e o bico envelhecido, mas Pedro estava se achando a super águia. (Lc 22:31).
    Como a águia envelhecida por não ter se submetido a restauração não conseguia mais pegar suas presas, no getsêmani pegou a presa errada ( a orelha do soldado), e não pegou a serpente que estava bem ao seu lado.
    Deu voos rasantes perigosíssimos que se não fosse à misericórdia de Jesus protegendo e dando cobertura para que fugissem teria sido destruído tanto no getsemani, como nos momentos em que esteve trancado no quarto, pescando, ou no pátio do sumo sacerdote.
    Elias também se tornou uma águia cansada e precisou de mais de 40 dias para ser restaurado como águia que voou tão alto que subiu sem mais voltar.
    Já Eli, a velha águia ferida pelo comportamento de seus filhos, resolveu conviver com estes aborrecimentos e morrer.
    A restauração de Pedro levou 40 dias (desde o dia da morte de Jesus até o seu encontro com ele na Galiléia).
    Jesus morreu na cruz e Pedro que estava com vôos tão rasantes se omitiu se afastou do lugar de segurança que era ao pé da cruz.

    Quando nos afastamos de Deus esta é a verdadeira zona de perigo: decepcionamos-nos e afastamos, nos magoamos e nos afastamos, esfriamos e nos afastamos.

    Então o prenderam e o levou para a casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe (Lc 22:54). Pedro seguia Jesus de longe, mas a serpente o seguia de perto, quem rompe um muro, uma cobra o morderá.
    Deus não permitia nem um pavio velho no santo lugar e nem óleo velho, se permitirmos os entulhos da alma se convivermos com eles, este será o lugar, o habitat dos animais peçonhentos.
    Pedro se afastou, e sentimentos de medo, insegurança, baixo auto estima, dureza, esfriamento, entraram em seu coração.
    O próximo passo de Pedro foi sentar-se na roda dos escarnecedores, mas o conflito e a dor eram profundos porque aquele fogo não aquecia, por mais que tentasse, ele não tinha o mesmo linguajar.
    O reconheceram como diferente, tentou negar a sua essência, mas se viu dominado por suas emoções conturbadas e a partir deste momento foi uma sucessão de erros. Negar a Jesus é excluí-lo de nossas vidas, negar a Jesus é negar a necessidade de restauração.
    Pedro entrou com João no pátio onde Jesus estava sendo julgado e espancado. (Jo 18:16)

     A primeira vez que negou foi quando a empregada encarregada da porta, o reconheceu. (Jo 18:17)

     Na segunda vez foi um dos soldados que com ele se aquentavam no fogo, mas mais uma vez ele negou (Jo 18:25).

     Um soldado presente no Getsemani o reconhece como o agressor do soldado da guarda e nega (Jo 18:26). Pedro nega com juramento (Mt 26:74) amaldiçoando a sua própria vida.(invocando maldições sobre si caso estivesse mentindo)... E saindo dali chorou amargamente.

    Este foi o inicio da restauração, o inicio do vôo para a rocha, este foi o quebrantamento, o vaso de alabastro sendo quebrado aos pés de Jesus. Deus minha vida está quebrada como este vaso, estou em vôo rasante, me leve para cima, me tire desta zona de perigo, derramando meu amor, meu arrependimento aos seus pés.
(Lc 22:61 e 62) o olhar do perdão e do amor.
    Em Lucas, Pedro dá 3 tipos de respostas que damos quando não queremos ser restaurados: Não o conheço, não sou, não compreendo o que dizes ! Não conheço os princípios de Deus, não sou o que Deus diz que eu sou o que meu coração em meus sonhos diz que eu sou não compreendo. O que você diz a meu respeito!
    Quando estamos em zona de perigo Jesus manda que o galo cante para nos alertar, pessoas ou situações que nos lembrem que é hora de ir para o alto para ser restaurado.
    (Mc 14:62) O galo já havia cantado, seus ouvidos estavam ensurdecidos por causa do medo e insegurança, a velha natureza da inconstância voltou a predominar, mas na terceira vez com o olhar de Jesus caiu em si, a voz de Jesus ecoou em seu coração.
    Como estavam os olhos de Jesus. (Mt 26:67)
    Você seria capaz depois de haver sofrido, agredido, ainda assim olhar para quem ficou distante?
    Mas é desta forma que Jesus olha para nós, mesmo depois dos nossos pecados e quebras de princípio, mesmo depois de agredi-lo. É desta forma que Ele está olhando agora para você.
    Pedro chorou amargamente, (inicio da subida da águia, inicio da restauração das forças, lembrança de Jesus ter dito que quando ele se convertesse apascentaria). Jesus mostrando que ele se tornaria um homem flexível não quanto à instabilidade, mas em relação ao amor e compreensão das vidas.
    Mostrou que todo erro é passível de reparação, que toda pedra destruída a fogo pode voltar a ser pedra.


Pra Nayra Pedrini

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